Autoridades de saúde da Índia lançaram ação emergencial para conter um foco do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental.

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”FONTE: Tráfego Aéreo Brasil”

Autoridades de saúde da Índia lançaram ação emergencial para conter um foco do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental. Exames laboratoriais confirmaram cinco casos humanos, todos em profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e técnicos) atendendo em um hospital privado na periferia de Kolkata, e mais de cem contatos passaram a cumprir isolamento preventivo. A transmissão dentro da unidade hospitalar é apontada pelas autoridades. A investigação começou após um paciente com quadro neurológico grave; profissionais que o atenderam desenvolveram febre alta, cefaleia intensa e sintomas respiratórios com evolução rápida, o que motivou a coleta de amostras e envio a laboratórios de referência.
Em resposta, o governo estadual ativou protocolos de contenção já usados em surtos anteriores: rastreamento rigoroso de contatos, monitoramento diário de sinais clínicos, testagem ampliada entre profissionais e familiares, quarentena domiciliar supervisionada para pessoas de alto risco, reforço de áreas de isolamento em hospitais de referência, uso de equipamentos de proteção individual e restrição de visitas. O Nipah é um vírus zoonótico com reservatórios em morcegos frugívoros; a transmissão inicial costuma ocorrer por ingestão de produtos contaminados (frutas, seivas) ou contato direto com fluidos de animais doentes, e pode ocorrer transmissão entre pessoas, especialmente em ambientes fechados com contato próximo e prolongado.
Clinicamente, a doença inicia-se com febre, dores musculares, náuseas e mal-estar, podendo progredir rapidamente para comprometimento respiratório e inflamação do sistema nervoso central – encefalite, convulsões, alteração do nível de consciência e coma. Em surtos anteriores, a letalidade variou entre cerca de 40% e 75%, dependendo da rapidez do diagnóstico e da capacidade do sistema de saúde. Não há vacina aprovada nem antivirais específicos; o tratamento é de suporte intensivo, com manejo das complicações e rigoroso isolamento, limitação que preocupa autoridades e especialistas.
A Índia já teve surtos em Bengala Ocidental em 2001 e 2007, e um surto mais extenso em Kerala em 2018, com dezenas de óbitos e assistência internacional – experiências que ajudaram a elaborar planos de resposta rápida. No episódio atual, aeroportos e estações ferroviárias da região intensificaram triagens clínicas, unidades públicas de saúde foram orientadas a notificar imediatamente casos com sintomas neurológicos associados à febre, e campanhas orientam a população a evitar frutas caídas, lavar bem alimentos, não ingerir seivas cruas e procurar atendimento ao notar sinais suspeitos.
A Organização Mundial da Saúde acompanha o desdobramento e mantém o Nipah na lista de agentes com alto potencial epidêmico. Especialistas alertam que vigilância constante, isolamento precoce, rastreamento rigoroso e adesão às recomendações serão cruciais nas próximas semanas para evitar expansão do surto.